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por Edir Veiga
26 de abril, 2014 -
O PMDB, após ficar 20 anos longe da cabeça do governo do estado do
Pará, aposta todas as fichas em retomar o comando político e
administrativo do estado. O objetivo desta breve análise é tentar
apresentar um conjunto de argumentos que possam estabelecer parâmetros
para projetarmos as possibilidades do PMDB nestas eleições.
O jovem político Helder Barbalho é o encarregado de entrar na arena
eleitoral com a finalidade de enfrentar e derrotar o longevo projeto
tucano que há 16 comanda o estado e que busca um quinto mandato, com o
governador Jatene procurando ser o primeiro governador da era
democrática-popular a ficar por três governos ou 12 anos, à frente do
executivo estadual.
As possibilidades competitivas de Helder Barbalho se assentam em quatro
eixos: O peso político do ex-governador Jáder Barbalho; Os resultados
de seus 8 anos de governo na segunda maior cidade do Pará, Ananindeua; A
máquina midiática representada pela holding RBA; Uma grande coalizão
eleitoral tendo à frente PMDB/ PT.
Sem dúvida nenhuma, já é perceptível a relação entre o eleitorado e a
marca administrativa e carismática do ex-governador Jáder nas intenções
de voto destinadas ao candidato Helder Barbalho. Nos testes eleitorais
que fiz no ano passado, quando apresentava-se ao entrevistado listas
estimuladas, com alternâncias entre o nome de Jáder e Helder, o
percentual de intenção de voto estadual era semelhante. Ou seja, Helder
já sairá na corrida eleitoral com pelo menos 15% de intenção de voto,
repassados pelo ex-governador Jáder.
A passagem de Helder pelo governo de Ananindeua, deram-lhe currículo
para apresentar de forma inquestionável o requisito da experiência
administrativa como executivo municipal. Helder ao final de seu governo,
apresentou dados não questionados publicamente pela oposição em
Ananindeua a respeito de seus dois mandatos.
Tais resultados de governo englobam ações em saúde, educação, esgoto
sanitário, habitação popular. Veja aqui o balanço do governo Helder,
apresentado quando do final de seu governo:
http://www.diarioonline.com.br/noticias/para/noticia-181811-.html
Sem dúvida nenhuma, o grupo RBA de comunicação veio construindo a
imagem do ex prefeito de Ananindeua nos últimos 14 anos e hoje, apesar
de Helder nunca ter disputado cargos majoritários de âmbito estadual, já
é bem conhecido em todo o território paraense, principalmente, neste
momento, onde apresenta um programa numa rádio de grande audiência em
todo o Pará. A RBA atua afirmando o nome Helder e desconstruindo a
imagem das candidaturas adversárias.
A coalizão construída, com várias siglas, tendo à frente o Partido dos
Trabalhadores, representa uma musculatura respeitável, tendo em conta
que este partido tem implantação sólida em quase todos os municípios
paraenses possuindo um cartel de quase trinta prefeitos, que somados com
a base local do PMDB, representam uma variável que pode ter um grande
significado na estruturação municipal e regional da candidatura
pemedebista.
Ninguém pode negar que existe uma base de apoio logístico, partidário,
parlamentar e de máquinas municipais, que colocam Helder Barbalho como
favorito, neste momento, para ser um dos desafiantes em segundo turno
das eleições governamentais paraense. Ademais, Helder ainda conta com o
longo e cansativo período de governo tucano no Pará e com uma percepção
popular acerca do desempenho do atual governador que varia de Regular
para Ruim, do que Boa.
Porém, Helder não tem apenas aspectos positivos nesta sua corrida rumo
ao palácio dos despachos. Helder também convive com 4 variáveis
centrais que podem comprometer sua caminhada rumo ao governo do Pará: A
grande rejeição eleitoral na região metropolitana, para cargos de
mando, do ex-governador Jáder Barbalho; A percepção popular negativa de
seu desempenho à frente do governo de Ananindeua; A previsível
ausência da militância petista no entorno de sua candidatura; A possível
caminhada descendente da candidatura Dilma, nestas eleições.
Todas as pesquisas realizadas até o ano passado, revelavam que Jáder
Barbalho, de saída, não tem menos de 20% de rejeição perante o
eleitorado da região metropolitana. Este percentual tende a duplicar
quando os adversários reavivam a memória popular sobre as acusações que
pesam sobre o ex-governador Jáder. É só lembrarmos da última eleição de
2012 em Belém, quando o candidato do PMDB, José Priante ocupava o
segundo lugar nas pesquisas e, no momento em que o candidato Arnaldo
Jordy, ferido com os ataques que lhes foram desferidos pelo grupo RBA
naquele pleito, relembrou a ligação familiar entre Jáder e Priante. O
candidato pemedebista, despencou, em duas semanas, para o quinto lugar
nas preferências populares. Portanto, para o bem ou para o mal, Jáder
estará presente em todas as fases desta campanha, potencializando ou
não, os destinos eleitorais de seu filho Helder Barbalho. Lembremos, que
a massa de eleitores fiéis de Jáder, já está quase toda desaparecida,
devido à mudança geracional.
Quando Helder saiu do governo de Ananindeua em 2012, existia um
paradoxo. Helder apresentava publicamente resultados de governo
convincente. Pelo menos ninguém da oposição contestou. Mas a percepção
da população de Ananindeua, sobre o governo Helder, caminhava em sentido
contrário, ou seja, a população concedia a Helder um percentual elevado
e dominante de avaliação negativa sobre o seu governo. Este é o
problema também enfrentado hoje pelo atual governador do Pará. E não
tenhamos dúvida. A gestão Helder em Ananindeua estará em debate nestas
eleições, seus opositores trarão este tema para o palanque eletrônico.
Como a população sempre, em eleições para executivo, leva em conta a
qualidade passada de um chefe de executivo, Helder poderá enfrentar
grandes revezes nas intenções de votos. Assim funciona a democracia.
Em todas as “rodadas bem informadas”, da intelectualidade progressista e
de esquerda, venho fazendo pesquisas qualitativas. E em todas as
avaliações, a grande maioria aposta de que a militância petista das
tendências não irão para as ruas vestindo a camisa de Helder Barbalho. A
razão é simples: O PT chamou Jáder de ladrão durante mais de 20 anos de
sua existência. E até agora, a direção petista ainda não explicou o
porquê, de ter mudado tão radicalmente sua avaliação em torno do nome de
Jáder e de sua herança política. E todos perguntam: Quem caminhará com
Helder nas periferias de Belém? E pelo interior do estado? Normalmente, o
PT adora receber apoio eleitoral, mas não gosta de fazer campanha para
candidato majoritário de outro partido.
Outra variável, de ordem política, que poderá estar influenciando
diretamente a campanha eleitoral do candidato Helder Barbalho rumo ao
governo do Pará, serão as possibilidades eleitorais da candidata Dilma
Roussef. Apesar de Dilma vir liderando a corrida presidencial, muitos
sinais de alerta vêm emergindo nesta conjuntura pré-eleitoral.
Em todas as pesquisas, dois terços dos eleitores de Dilma querem
mudanças nos rumos de governo. Como os candidatos Aécio Neves e Eduardo
Campos ainda são desconhecidos do eleitorado brasileiro, afinal, estes
nunca disputaram uma eleição presidencial, este mesmo eleitorado que é
crítico ao governo Dilma, ainda não vislumbra outra alternativa real de
governo. Mas esta percepção tende a mudar, quando iniciar o horário
eleitoral gratuito na televisão.
O governo Dilma está com três marcas altamente negativas que podem
comprometer sua eleição nos próximos meses: O escândalo de
Pasadena-Petrobrás; Os indicadores econômicos que apontam para a
inflação e para a piora das contas públicas e da balança comercial com a
estagnação do crescimento do Produto Interno Bruto-PIB; E a marca
negativa que hoje representa para o governo Dilma, a copa do mundo, com
seus custos bilionários e os escândalos de superfaturamento nas obras em
curso.
Todos este fatores tendem a colocar a candidata Dilma em descenso nas
preferências, nos últimos dias da campanha eleitoral e, com ela devem
descer, ladeira abaixo, quem estiver com estratégias eleitorais,
ancorada na candidata petista. Tudo isso sem falar que o PT caminha para
o quarto mandato consecutivo. O natural cansaço democrático, produzido
pelo continuísmo, normalmente, exige, na percepção popular, alternância
de governo.
Poderemos, também, assistir a revolução do voto, que se iniciou nas
ruas, com os protestos de 2013, que pode levar para a cova as
candidaturas de quem estiver no exercício de mandato, seja ele
presidente ou governador. O povo exige o funcionamento de serviços
públicos nos estados e municípios brasileiros e a transparência das
atividades políticas.
Será desta equação entre pontos positivos e negativos, é que emergirão
as possibilidades eleitorais do candidato Helder Barbalho. Mas sem
dúvida, a grande coalizão partidária que sustentará a candidatura Helder
e o elevado tempo na TV, o tornam altamente competitivo. Caso as
eleições fossem hoje, Helder estaria, seguramente no segundo turno.
Tenho dito.