sexta-feira, 24 de junho de 2011

DESGOVERNO TOTAL.

DESGOVERNO – Muita lorota e vaidade


DESGOVERNO – Jatene ignora concursados

Há certas atitudes que desmentem biografias ou dizem tudo sobre elas. No caso do governador tucano Simão Jatene, por exemplo, não se pode dizer que surpreenda seu recorrente menosprezo ao drama dos concursados, um contingente calculado em 4.500 pessoas à espera de nomeação, cujos apelos voltou a ignorar solenemente em sua passagem por Santarém, a pretexto dos 350 anos do município, comemorados quarta-feira, 22. Diante da inauguração de 15 novas máquinas de hemodiálise pelo governador, no Hospital Regional do Baixo-Amazonas, enfermeiros, técnicos em enfermagem e outros profissionais de saúde, apoiados por um carro-som, fizeram um protesto, portando faixas, cartazes e nariz de palhaço, reivindicando a nomeação dos concursados (foto). O truculento magote de seguranças do governador tucano tratou de impedir o acesso dos manifestantes a Jatene, restando-lhes os acenos, com ares de balela, de uma audiência, em data, hora e local indefinidos, e ainda assim condicionada ao fim do protesto.
A imposição da tucanalha, que condicionava um eventual acesso dos manifestantes a Jatene a suspensão do protesto, foi por estes peremptoriamente descartada. O que não intimidou os mais afoitos, que prestaram-se ao patético papel de moleques de recado, tal qual ocorreu com o próprio secretário estadual de Saúde, Hélio Franco, e o deputado tucano Alexandre Von. Ambos foram ao encontro dos manifestantes, propondo conversar “oportunamente” com eles, desde que o protesto fosse imediatamente suspenso, uma condição a priori rejeitada. Mas o engodo palaciano não ficou por aí. Ele incluiu até a aparição de um suposto assessor de imprensa de Simão Jatene, de identidade desconhecida, acenando com o “direito” a um suposto encontro de 20 minutos dos manifestantes com Simão Jatene – sem porém definir data, hora e local da reunião -, para o qual a condição sine qua non seria que abortassem o protesto. Ao ver rejeitada a “conversa para boi dormir”, conforme definição de um dos manifestantes, o pretenso jornalista, visivelmente irritado, escafedeu-se.

DESGOVERNO – Despautérios em série

Um capítulo à parte, no protesto dos concursados em Santarém, foram os despautérios em série, protagonizados pelo secretário estadual de Saúde, Hélio Franco (foto, com os manifestantes), e pelo deputado Alexandre Von, do PSDB e que tem em Santarém seu principal reduto eleitoral. Ambos, no desabafo dos militantes da Asconpa, a Associação dos Concursados do Pará, mandaram os escrúpulos às favas e dispararam uma avalancha de sandices, que ofendem a inteligência e o decoro. Algo tanto mais surpreendente no caso de Franco, que fixou a imagem de um médico competente e um administrador sério, desconstruída agora, no comando da Sespa, a Secretaria de Estado de Saúde Pública.
Dentre outras pérolas, o secretário estadual de Saúde declarou, conforme os manifestantes, que o concurso público para o Hospital Regional do Baixo Amazonas teria sido “uma grande bobagem, um erro que não deveria ter sido feito, por ter sido mal estudado previamente". “Para nós, o erro a que se refere o secretário de Saúde diz respeito a assinatura do contrato com a Pró-Saúde, que administra mal o Hospital Regional, não é fiscalizada, recebe dinheiro para isso e ainda se dá o direito de não nomear os concursados”, retruca José Emílio Almeida, presidente da Ascopa, que vê na situação um episódio clássico de “improbidade administrativa”.
Quanto a Alexandre Von, os manifestantes observam que ele levou ao paroxismo o escárnio diante do drama dos concursados à espera de nomeação, claramente postergada pelo governador Simão Jatene. O parlamentar tucano simplesmente propôs, candidamente, que os concursados desistam das suas nomeações e assinem contrato trabalhista com a Pró-Saúde. “Isso porque, segundo o deputado tucano, o governo não pode ferir um contrato feito com a Pró-Saúde, ainda que sejam transgredidos os direitos constitucionais dos concursados!”, indigna-se José Emílio Almeida, o presidente da Asconpa. “O deputado também propôs que os concursados assumam cargos nos pólos da Sespa, mesmo que esses pólos estejam situados em localidades distantes, bem longe de Santarém”, acrescenta Almeida.

DESGOVERNO – Imprensa santarena amordaçada

O mais grave, de acordo com denúncia da Asconpa, é que o governo Simão Jatene aparentemente comprou, em troca de verba publicitária, o silêncio da imprensa santarena. “Vários canais de televisão de Santarém estiveram presentes no local e cobriram o protesto, inclusive entrevistando os concursados. No entanto, nenhuma notícia sobre a manifestação foi veiculada nos telejornais de Santarém”, relata José Emílio Almeida, o presidente da Asconpa, repercutindo denúncia dos concursados santarenos.
Seja como for, acrescentou Almeida, os concursados estão irredutíveis na luta pelos seus direitos. “Para nós, vale o que está escrito no edital do concurso e no Diário Oficial do Estado. Esses documentos nos garantem direitos que não podem ser ignorado pelas autoridades”, acentua, arrematando.

DESGOVERNO – Flagrantes do protesto









Flagrantes da manifestação dos concursados. Na última das fotos, abaixo, figura o suposto assessor de imprensa do governador Simão Jatene, que pretendeu abortar o protesto com uma “conversa para boi dormir”, na definição dos concursados.

ALEPA – O portfolio de Ana Mayra na Europa

Alegar precedentes, para justificar a pilhagem aos cofres públicos, segue a lógica do malfeitor. Por isso não surpreende a tentativa de desqualificar a denúncia do blog sobre a tramóia da qual foi beneficiária a jovem advogada Ana Mayra Leite, flagrado cursando mestrado em Lisboa, Portugal, a despeito de ocupar um cargo comissionado na Alepa, a Assembléia Legislativa do Pará, embolsando regularmente seus vencimentos, apesar de ausente do Palácio Cabanagem. Abrigada no gabinete da deputada peemedebista Simone Morgado - 1ª secretária da Alepa e de estreitos vínculos com o ex-governador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará –, a fantasminha vinha tendo sua pretensa freqüência atestada mensalmente, um agravante a mais na tramóia.
A permanência de Ana Mayra em Portugal, ao mesmo tempo em que embolsava indevidamente os vencimentos pagos pela Alepa, mediante fraude na lista de frequência, está atestado na página que mantém no Facebook, um site de relacionamento na internet. E pode ser ilustrado pelas fotos da temporada européia da jovem advogada, conforme o portfolio da fantasminha no Facebook. Ana Mayra, ao que parece, teve em quem se inspirar. Seu pai, o advogado José Leite, é também servidor da Alepa, lotado na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária da Assembléia Legislativa, embora por muito tempo não fosse visto no Palácio Cabanagem, no qual voltou a circular após o imbróglio envolvendo a filha. A mãe da jovem, Márcia Leite, é igualmente servidora da Alepa e também lotada na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária. Márcia e José Leite, diga-se, são militantes históricos do PMDB.
Comprovada a denúncia, aguarda-se, agora, que o erário seja ressarciado, diante da pilhagem que representou o dinheiro indevidamente pago pela Alepa para Ana Mayra Leite. Uma obrigação que cabe à deputada Simone Morgado, sem a leniência da qual, aparentemente, o embuste não poderia ter sido perpetrado. Sem esquecer, naturalmente, das providências legais, diante da fraude na lista de frequência, que mensalmente atestava a suposta presença da jovem advogada.

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