terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O Governador Simão Jatene desistiu de desistir.

Simão Jatene: pressões internas pesaram na balança, que pendeu para o lado da disputa pela reeleição

















Jatene desiste de desistir. E de se desincompatibilizar.

Meia-volta, volver.
O martelo está batido. Pelo menos até agora.
Amanhã, pode até ser que não mais esteja. Mas amanhã é outro dia, como vocês sabem.
O governador Simão Jatene desistiu de desistir.
Desistiu de continuar embaralhando as cartas.
Não conseguiu resistir às pressões internas.
Depois de contatos com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e com o senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Jatene achou por bem arquivar seus planos de desincompatibilizar-se do cargo no início de abril, como ele mesmo anunciara publicamente. E achou por bem, além disso, concorrer ao governo do Estado nas eleições de outubro vindouro.
Três fontes do PSDB - até então reclusas, na muda e mudas, ou porque não eram provocadas, ou porque, provocadas, preferiam mesmo observar a cautela para não se expor demais - admitiram claramente ao Espaço Aberto que o projeto acalentado e anunciado por Jatene, de desincompatibilizar-se do cargo, estava em sintonia com um um outro passo subsequente: o de retirar-se da vida pública, ainda que não da política, passando a preparar o atual vice-governador, Helenilson Pontes, como o candidato à sua sucessão.
Esses movimentos foram antecipados pelo blog em duas postagens. A primeira, intituladaJatene deve deixar a política. Helenilson será o candidato., foi divulgada aqui no dia 14 de janeiro passado.
A outra, de 29 do mesmo mês, sob o título Zenaldo e Pioneiro resistem aos planos de Jatene, mantinha as informações da anterior, mas acrescentava que as pressões internas no PSDB, encabeçadas sobretudo pelos prefeitos tucanos de Belém e Ananindeua, manifestavam-se como obstáculo de monta para que Jatene passasse o bastão da candidatura ao vice-governador.
Até que não deu mais.
Com as pressões avolumando-se, Jatene avaliou melhor.
Depois de conversar com Alckmin e Aécio, avaliou que o cenário que se apresenta, com a forte possibilidade de concretizar-se uma aliança entre o PMDB e o PT, é complicado para os tucanos.
Mas avaliou também que não lhe restava outra alternativa senão concorrer ao cargo, eis que eventual desistência esfacelaria irremediavelmente o PSDB.
E assim será.
Círculos próximos a Jatene dizem que também pesou na balança a avaliação de que o atual governo, depois de três anos de seca, sem obras para mostrar em decorrência de ajustes estruturais que precisavam ser feitos, terá nos próximos meses o seu período de colheita, ou seja, um rol de realizações que poderão revelar, claramente, um estilo mais operoso, digamos assim, da administração tucana.
Para isso, todavia, Jatene não mais deixará o governo.
"Se ele deixar o cargo, não terá condições alguma de se reeleger", sentenciou uma fonte.
"Por enquanto, essa possibilidade está suspensa. Isso só ocorreria de acordo com a intenção anterior, que era a de não disputar o governo", reforçou uma outra fonte.
É isso.
Meia-volta, volver.
O martelo está batido. Pelo menos até agora.
Amanhã pode mudar. Mas amanhã é um outro dia.
Sobretudo na política.

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