Jatene tenta a melhor solução para o Senado, dizem tucanos
Tucanos que estão suando a camisa - e como! - em busca da melhor solução possível para definir o candidato ao Senado que será apoiado pela coligação encabeçada pelo PSDB garantem que o governador Simão Jatene nunca antes, jamais, em tempo algum declarou que o vice-governador Helenilson Pontes seria o seu nome preferido, em detrimento do atual senador Mário Couto, candidato natural à reeleição.
Ao contestar a postagem intitulada Mário Couto disposto a chutar o pau da barraca, fontes tucanas, ouvidas pelo Espaço Aberto, garantem que, ao contrário do que tem sido propagado, Jatene tem procurado encontrar uma solução para compor o maior número possível de partidos aliados no mesmo palanque, o que é natural nesse momento de negociações, sem descontentar ninguém.
Os tucanos reconhecem que a situação é delicada e exige um exercício diário de negociações que se tornam mais difíceis ainda porque envolvem questões regionais e estratégicas.
Jatene, asseguram alguns tucanos, sempre entendeu as razões de Mário Couto de querer ser o candidato, o que é natural. Mas ponderam, em contrapartida, que o senador precisa entender que a chapa precisa de outros partidos para compor. Isso porque o PSDB não pode participar da disputa sozinho, sem oferecer nada em troca.
Lembram os tucanos que em outros estados, como na Paraíba e em Goiás, o PSDB abriu mão da reeleição dos senadores para composições regionais. E tudo com as bênçãos do pré-candidato a presidente da República, senador Aécio Neves.
A propósito - e isso é fato -, na eleição passada, num período com este, Mário Couto se lançou candidato a governador para enfrentar Jatene, naquela altura franco favorito para vencer a petista Ana Júlia, como acabou acontecendo depois. "E tudo foi resolvido depois de muita negociação. Era isso que o governador estava procurando encontrar agora: uma solução", afirma tucano ouvido pelo blog.
Baixo calão
Sobre a reunião que a postagem mencionada classificou de tensa, as fontes tucanas avançaram bem mais na avaliação. "Foi demais", resumiu circunstante que ouviu, segundo afirma, coisas assustadoras, como expressões de baixo calão que o senador teria proferido em tom intimidatório e ameaçador na reunião, forçando Jatene a se retirar antes do previsto, conforme informou o blog.
A atitude do governador, conforme explicou o circunstante ao Espaço Aberto, configurou "uma atitude de grandeza para evitar o pior", num momento em que todos procuravam avaliar alternativas que contemplassem a preservação do espaço desejado pelo senador Mário Couto e pelo PSDB, assim como as possibilidades de composição com outros partidos e pré-candidatos da base aliada.
Segundo fontes ouvida pelo blog, só restou aos que ficaram no local da reunião os fatos que justificaram o seu fim precipitado. "Com certeza o governador Simão Jatene não deve ter gostado nem um pouco do que viu e ouviu. Se o nobre senador colocar a mão na consciência, com certeza vai se condenar também pelo que fez", conclui o circunstante tucano.
O que ela disse:
"Acontece uma coisa engraçada: quem nunca fez desanda a cobrar de quem fez. É isso que estamos assistindo. Gente que nunca fez cobrar de quem está fazendo."
Dilma Rousseff, presidente e pré-candidata à reeleição, fustigando os tucanos por falta de projetos no estado de São Paulo para conviver com a estiagem neste ano.
Duciomar e o PTB.
Duciomar não é a 3ª via. É a 1ª ameaça ao Pará.
O pessoal da redação, como vocês sabem, continua de férias.
Mas as notícias chegam, né?
E como chegam.
O certo é que a tropa de Duciomar está na rua.
Aliás, está nas redes.
Mais nas redes sociais do que nas ruas.
Aqui pelo blog, a tropa, ou parte dela, aportou há vários dias para tentar convencer o poster de que Duciomar, o huno, pior prefeito de Belém em 800 anos - os 400 que estão para se consumar e os 400 do porvir - será a terceira via a uma candidatura que já tem, pelo menos, dois contendores certos - o governador Simão Jatene, que tentará a reeleição, e o ex-prefeito de Ananindeua Helder Barbalho (PMDB).
Hehehe.
Terceira via é ótimo.
Duciomar candidato seria, em verdade, a primeira ameaça ao Pará.
A simples possibilidade de vir o dotô a se eleger governador do Pará já representa uma ameaça de que ele replicasse no Estado o desgoverno com que brindou Belém por oito anos.
Uma ameaça, admita-se logo, que causa arrupios.
Verdadeiros arrupios.
A tropa de Duciomar, entretanto, não desiste.
Relaciona por aqui as "obras" de Duciomar.
Conceda-se à tropa do ex-prefeito sonhar o sonho sonhado de que o personagem venha, digamos assim, a ter um peso no processo eleitoral que se aproxima.
Mas convém à tropa que caia na real: é preciso, primeiro, que Duciomar viabilize sua candidatura, conquistando apoios para uma candidatura capaz de dar-lhe sustança eleitoral.
E então?
Duciomar já viabilizou sua candidatura?
"As coisas caem no colo de Duciomar. Será?"
Caro poster, as manifestações que ora se apresentam quando o assunto é candidatura ao governo do estado, especificamente em relação a Duciomar, não passam de perspectivas de cidadãos a assistir da planície os movimentos do tabuleiro político.
Como já mencionei, não gosto pessoalmente de Duciomar, mas reconheço que ele é sim potencial candidato ao governo com chances reais de se eleger. A direção nacional do PTB lhe deu a garantia de que, partidariamente, ele só depende dele; entregou-lhe a presidência; Bengtson e os demais petebistas estão pacificados, haja vista que uma candidatura majoritária fará bem aos candidatos do partido.
Externamente, o arco de alianças não está definido para nenhum dos três candidatos, e as coligações ficarão certamente próximas do limite dos prazos, lá por 30 de junho. Todos estão conversando e a tentativa de impedir Duciomar de disputar é a confirmação de seu potencial eleitoral.
Portanto, teremos o favorito Jatene, Helder em pré-campanha há dois anos, Araceli Lemos - hoje uma desconhecida para os eleitores após tantos anos sem mandato - e Duciomar, como sempre meio despreparado e sem uma equipe de trabalho organizada.
Apesar de não ter a estrutura de Jatene e Helder e não ter mandato ou benesses a ofertar e aparecer em pesquisas eleitorais encomendadas pelos grandes, e não ter feito movimentos ou sugestões sobre sua candidatura, é prova de que ele tem possibilidades.
Como disse um colega de trabalho da universidade: "Duciomar nasceu virado pra Lua e as coisas caem no seu colo".
Será?
traição de Zé Costa em Monte Alegre Parte 1
traição de Zé Costa em Monte Alegre Parte 2
Sérgio Monteiro denuncia traição de Zé Costa em Monte Alegre
O prefeito afastado de
Monte Alegre, Raimundo Sérgio de Souza Monteiro, revelou a tática da
armação que fizeram para lhe tirar do governo. Ele acusa o
Vice-Prefeito, José da Costa Alves, o “Zé Costa”, de ser o mentor da
trama que lhe afastou da frente da Prefeitura de Monte Alegre. Sérgio
Monteiro disse, ainda, que a Câmara Municipal de Monte Alegre até agora
não reuniu quorum para votar a ata da sessão que deu origem ao seu
afastamento do cargo. Ele alegou que está sendo vítima de perseguição
política em Monte Alegre. Veja a carta na íntegra:
“VERDADEIRA FACE DO VICE-PREFEITO ZÉ COSTA”
“Ao tomar conhecimento, via mensagem em meu celular, de uma notícia
dando conta de que o Vice-Prefeito, José da Costa Alves (Zé Costa),
havia repassado a reportagem de um jornal de Monte Alegre, uma farta
documentação noticiando possíveis irregularidades administrativas e
financeiras na gestão de 2013. Eu que nesta data inicio uma viagem para
Brasília (DF), me manifesto alegando que não defendo, nem nunca
defenderei desvios de condutas de gestores municipais, nem ilicitude com
o erário público, sou a favor de que quem errou pague perante a lei.
Afirmo isto porque tenho como parâmetro para minha vida e oficio de
gestor municipal de Monte Alegre. Embora não concorde, mas tenho
conhecimento que meu afastamento pela Câmara Municipal, foi porque 10
(dez) vereadores da oposição entenderam que deveriam ser apuradas
possíveis irregularidades na obra em andamento da Escola Doutora Gama
Malcher.
No entanto, passados mais de 10 dias, do aludido afastamento, sequer a
Câmara reuniu quorum para votar a ata da sessão que deu origem a esse
ato, demonstrando assim que o afastamento teve conotação meramente
política e não para apurar possíveis irregularidades. Observa-se o
prazer que se tem e o circo que se monta quando o Vice-Prefeito, fugindo
de todos os princípios da administração pública expõe documentos, que
sequer se sabe ele, ser verdadeiro, para denegrir a imagem de um homem
que ainda nem teve a oportunidade de se defender, como é o meu caso.
Não faz parte dos meus princípios tornar público atos que considero
inidôneos de meus semelhantes, mas diante dos ataques injustos que venho
sendo vítima, decidi levar ao conhecimento público ao povo de Monte
Alegre, que o Vice-Prefeito nutre sentimento odioso pela minha pessoa,
dado ao fato de eu ter impedido que “Zé Costa” colocasse seu próprio
veículo na Locadora Nominal, para servir a ele mesmo, locado para a
Prefeitura no valor de mais de R$ 7.000,00 (sete mil reais). Valor este
que segundo a Locadora seria repassado a Zé Costa para trabalhar em
Santarém no CEFBAM, sem qualquer formalização de atos dessa entidade com
o município. O exonerei do cargo da Secretaria Municipal de Obras, pelo
fato dele ter assinado licença para execução de obras a uma empresa
madeireira para explorar madeira de forma irregular, numa área rural em
Serra Azul, sem qualquer parecer técnico do órgão ambiental municipal,
dentre outros atos que oportunamente a população montealegrense saberá.
Dito isto, vê-se claramente que Zé Costa não possui envergadura moral
para posar na imprensa como o defensor da moralidade, da honestidade e
de homem público sem mácula. A população de Monte Alegre sabe o estado
em que a Prefeitura do nosso município foi encontrada. As obras
inacabadas são heranças malditas infelizmente herdadas dos governos
passados. O caso administrativo já estava instalado, e para mantermos
funcionando alguns atendimentos essenciais, tivemos que fazer muitos
ajustes e até transferências de recursos, contudo, já estamos fazendo
todos os ajustes com o fito de prestar contas de nossa gestão.
Entendo que os opositores, juntamente com o Vice-Prefeito, formaram
um conluio para fazer terrorismo, ao invés de buscar soluções estas que
foram interrompidas abruptamente quando do nosso afastamento, e diante
dos atos impensados que estão sendo tomados pelo Vice-Prefeito e sua
equipe, ressalta-se, composta dos velhos conhecidos do povo de Monte
Alegre, são as mesmas pessoas que contribuíram para o endividamento do
município. Será com grande dificuldade que se retomaremos as ações para
resolvermos os problemas dos anos anteriores, inclusive, do IPMMA,
diga-se, que a dívida não é apenas da minha gestão, e sim, já existia
uma alta dívida da gestão anterior, agravando-se com a forma como era o
modelo de gestão, onde o instituto não evoluía financeiramente, e assim,
com gigantesco esforço recolocaremos Monte Alegre no trilho do
desenvolvimento com cidadania e participação popular.
Por fim, defendo a minha dignidade e meu compromisso com a população
de Monte Alegre, eu Dr. Sérgio Monteiro, me coloco a inteira disposição
da Justiça e do povo da minha cidade, para responder por todos os atos
da minha administração, pois entendo que devo respeito a todos os
munícipes, que são pessoas íntegras e merecedoras de toda minha
dedicação, pois como ser humano que sou posso um dia errar, mas tenham
certeza que será no excesso de querer fazer o melhor”.
Tempestade em copo d’água.

Publicado em Jornal O Liberal - Poder - 27/04/2014
Deputado Federal Puty
Os arautos do caos – a oposição neoliberal e conservadora – não param de
profetizar sobre a “tempestade perfeita” que estaria prestes a desabar
sobre a economia brasileira. Dia e noite, eles nos bombardeiam, pela
mídia, com previsões catastrofistas. Dizem que a inflação está à
espreita, que as expectativas de crescimento econômico são pífias, que o
desemprego está aumentando, as contas públicas estourando e a dívida
crescendo. Quem lê tanta notícia negativa tem razão para se assustar.
Mas, quando se olha de perto os números reais da economia, percebe-se
facilmente que estamos diante de uma situação totalmente diversa, com
estabilidade, crescimento e queda do desemprego, mesmo dentro de um
quadro de crise internacional persistente. De onde se conclui que a
questão fundamental é de natureza política, não econômica. O fato é que
os conservadores buscam interditar o debate sobre a política econômica,
classificando como “populista” qualquer desvio da ortodoxia econômica.
Vamos, então, aos números. De acordo com documento divulgado este mês
pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, verifica-se uma
tendência de estabilidade nos principais indicadores econômicos da
economia brasileira. Desde a crise financeira, o crescimento real do
Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, tem sido constante. Se
considerarmos 100 o índice de dezembro de 2007, ele apresenta uma curva
ascendente desde 2009, atingindo 117,7 no 4º trimestre de 2013. É mais
ou menos a mesma curva da Coreia do Sul. Para se ter uma ideia, o
México, que também ostenta um PIB crescente, atingiu o índice 110,2, os
EUA, 106,3. Já na a área do Euro o índice é de 97,9.
Em relação ao desemprego, podemos verificar um verdadeiro mergulho, do
pico de cerca de 13% em 2003 para 5% no final do ano passado. Segundo os
parâmetros internacionais, esse índice configura praticamente uma
situação de pleno emprego.
Já as reservas internacionais estão estabilizadas no patamar de US$ 378
bilhões desde 2012, enquanto que a dívida externa líquida ficou em - US$
92,7 no mesmo período. Quanto aos investimentos estrangeiros diretos,
desde 2011 eles estão na faixa dos US$ 66 bilhões ao ano. Podemos supor,
sem medo de errar, que se o capital externo tivesse a mesma percepção
que alguns setores do empresariado brasileiro, não se arriscaria a
continuar investindo no Brasil.
No que diz respeito à política fiscal, a redução da dívida líquida do
setor público prossegue com sua longa trajetória de queda, de 39% em
2010 para cerca de 33% do PIB em 2013. Esse resultado vem sendo obtido
em razão de um superávit primário acima da média dos países do G-20
(Grupo dos 20). Enquanto em 2013 o Brasil atingiu um superávit primário
de 1,9% do PIB, outros países do grupo tiveram déficit, como Japão
(-8,8); Reino Unido (-4,7%); EUA (-3,6%); França (-2,0%) e México
(-1,2%). Entre os que tiveram superávit primário, a Itália atingiu 2% e a
Alemanha, 1,7%.
E a inflação? Longe de estar fora de controle, a projeção para o Índice
de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) mostra que, do pico de quase 17%
em dezembro de 2002, esse índice caiu consideravelmente e vem se
mantendo estável, apesar de toda pressão, inclusive internacional, em
torno de 6%. É sempre bom lembrar que Lula recebeu de FHC uma inflação
de mais de 12% ao ano. É de se imaginar o tamanho escarcéu que a
oposição, os neoliberais e a direita fariam se, nos governos Lula e
Dilma, o IPCA chegasse perto de tal patamar.
A imagem do caos econômico ventilada pela oposição conservadora não é a
tempestade perfeita, mas uma tempestade em copo d’água – na verdade, é
uma tentativa de constranger o governo federal a abandonar os mecanismos
de política econômica voltados ao desenvolvimento econômico sustentável
e inclusivo, voltando a subordinar as ações do Estado às necessidades
do capital financeiro, principalmente especulativo.
Em defesa da Petrobras
Publicado em Jornal O Liberal - Poder - 13/04/2014
Deputado Federal Puty
Os tucanos passaram oito anos no poder tentando, de todas as formas,
privatizar a nossa maior empresa, a Petrobras, criada em 1953 na esteira
da campanha nacionalista ‘O petróleo é nosso.’ Agora, a pretexto de
investigar supostas irregularidades na compra, pela estatal, de uma
refinaria em Pasadena (Texas) em 2006, a oposição procura enfraquecer a
imagem da empresa, uma das maiores conquistas do povo brasileiro. Essa é
a principal função da CPI pedida no Senado.
A estratégia antinacional traçada pelo Estado-Maior da oposição
conservadora e levada a cabo pelo ‘general’ Aécio Neves é mostrar que os
governos Lula e Dilma levaram a empresa à bancarrota. Entretanto, se
nos dermos ao trabalho de comparar a desastrosa gestão da Petrobras
durante a gestão FHC com os resultados obtidos por ela desde 2003,
constataremos que a atual campanha da oposição não passa de cortina de
fumaça para uma nova investida para a privatização da estatal. Tanto que
o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a defender essa
medida, numa afronta à memória de seu tio, o general Felicíssimo
Cardoso, um dos líderes da campanha pela criação da Petrobras.
O fato é que as ações de FHC no poder mostram coerência do tucanato com o ideário privatista.
Em 1994, ainda como ministro da Fazenda de Itamar Franco, ele manipulou a
estrutura de preços dos derivados de petróleo de forma que, nos últimos
seis meses que antecederam a implantação do Plano Real, a Petrobras
teve aumentos de combustíveis 8% abaixo da inflação, enquanto que as
distribuidoras tiveram aumentos 32% acima da inflação. Com isso, houve
uma transferência do faturamento da Petrobras para o cartel das
distribuidoras, cerca de US$ 3 bilhões anuais. Já como presidente, FHC
pressionou a Petrobras para que ela assumisse os custos da construção do
gasoduto Brasil-Bolívia, obra que beneficiava a Enron e a Repsol, donas
das reservas de gás boliviano. Ocorre que a taxa de retorno do gasoduto
era 10% ao ano e o custo financeiro, 12%, mas a Petrobras foi obrigada a
desviar recursos da Bacia de Campos – com taxa de retorno de 80% – para
investir nesse empreendimento. A empresa também teve que assinar uma
cláusula que a obrigava a pagar pelo gás boliviano mesmo que não o
comprasse. Com isso, pagou por cerca de 10 milhões de metros cúbicos sem
ter conseguido vendê-los.
Em 1998 o governo federal impediu a Petrobras de obter empréstimos no
exterior de emitir debêntures para a obtenção de recursos para novos
investimentos. Ao mesmo tempo, FHC criou o Repetro (regime aduaneiro
especial), isenção fiscal às empresas estrangeiras que importam
equipamentos de pesquisa e lavra de petróleo, sem a devida contrapartida
para as empresas nacionais. Com isso, cinco mil empresas brasileiras
fornecedoras de equipamentos para a Petrobras quebraram, provocando
desemprego e perda de tecnologia nacional.
Em 2000, o então presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul,
levou Pelé a Nova York para o lançamento de ações da Petrobras na Bolsa
de Valores de Wall Street. O governo vendeu, então, 20% do capital total
da estatal e, posteriormente, mais 16%, pelo valor total de US$ 5
bilhões. No mesmo ano, os tucanos privatizaram a Refinaria Alberto
Pasqualini (Refap) por meio de troca de ativos com a Repsol argentina,
do grupo Santander, braço do Royal Scotland Bank Co. Nessa transação, a
Petrobras deu ativos no valor de US$ 500 milhões e recebeu ativos no
valor de US$ 500 milhões. Soma zero? Não, porque os ativos da estatal
brasileira eram avaliados em US$ 2 bilhões e os que ela recebeu passaram
a valer US$ 170 milhões, em razão da crise financeira da Argentina.
Nada simboliza melhor esse período nefasto do que o naufrágio da
plataforma P-36, com 11 mortes e prejuízos de US$ 2 bilhões.
A privatização da Petrobras foi revertida pelos governos do PT, mas
agora os demo-tucanos pensam ter encontrado o pretexto ideal para
colocá-la novamente na agenda. Para desespero da oposição, os números
representados pela estatal são a melhor arma contra a estratégia de
desmoralização. A produção média mensal de petróleo na camada de pré-sal
atingiu a marca de 387 mil barris/dia, novo recorde. A estatal também
bateu recorde de processamento de suas refinarias, com uma média de
2.151 mil barris de petróleo por dia. E também foi recorde a produção de
diesel e gasolina com baixo teor de enxofre, com 24 milhões de barris
de diesel e 14,8 milhões de barris de gasolina. Em relação ao gás
natural, a Petrobras ultrapassou, pela primeira vez, a barreira dos 100
milhões de metros cúbicos por dia (101,1 milhões).
NOTA DE PÊSAMES DO FALECIMENTO DE ALCIR MATOS
NOTA DE PÊSAMES DO FALECIMENTO DE ALCIR MATOS
É com profundo pesar, que comunicamos o falecimento do Coordenador da Setorial de Moradia do PT Pará, companheiro Alcir Ferreira Matos, nesta quinta-feira (8). Matos foi fundador e dirigente da Comissão dos Bairros de Belém - CBB, do Movimento Nacional de Luta por Moradia-MNLM, da Central de Movimentos Populares-CMP e da União Nacional por Moradia Popular-UNMP.
Matos lutou incansavelmente por direitos, por moradia digna, por um país sem miséria, por uma nação igualitária e digna para todos e todas, onde não nos conformássemos com a opressão e exclusão social. Ele sempre valente lutou por políticas de desenvolvimento urbano, pela construção de um espaço global comum e solidário para todos os brasileiros e brasileiras.
Matos encerra sua jornada hoje, mas deixa para as futuras gerações seu exemplo: uma vida dedicada à libertação de seu povo e a construção de um mundo mais humano, solidário e fraterno. Vá em paz companheiro, com a certeza que suas ações servirão de inspiração para que continuemos sua luta. Comprometemo-nos a seguir com seus projetos e ideais, na busca de melhorias para o povo. E seu legado vai permanecer em cada cabeça e em cada coração que sonhe com um mundo sem desigualdades.
Entrevista com Lúcio Flávio Pinto.
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Lúcio Flávio Pinto: modelo de desenvolvimento excluiu população local. |
“Sob essa perspectiva colonial, o sucesso do modelo
só não foi total porque excluiu a população local dos benefícios.” Essa, pelo
menos, é a leitura de Lúcio Flávio Pinto, ao avaliar, do ponto de vista
sócio-econômico, o legado da ditadura militar ao Pará. “Há uma linha de
continuidade na política econômica do governo federal a partir do final da
Segunda Guerra Mundial: intervenção externa cada vez maior para promover a
integração da economia regional à nacional e internacional. Na passagem da
democracia para a ditadura, a partir de 1964, essa linha não foi interrompida.
As estradas de integração nacional, que começaram a ser abertas no governo JK,
prosseguiram sob o regime militar. A penetração em áreas pioneiras se
intensificou. Os investimentos públicos e privados se multiplicaram”, observa o
jornalista. “O resultado é que a Amazônia, em particular o Pará, que não
contava para a balança comercial, passou a pesar. Foi uma evolução incrível”,
enfatiza Lúcio Flávio, na entrevista concedida ao Blog do Barata, que segue abaixo.
Do ponto de vista sócio-econômico, qual
o legado da ditadura militar em termos do Pará? Em matéria de desenvolvimento,
o estado avançou ou permaneceu patinando no subdesenvolvimento, nos 21 anos do
regime dos generais?
Há uma linha de continuidade na política
econômica do governo federal a partir do final da Segunda Guerra Mundial:
intervenção externa cada vez maior para promover a integração da economia
regional à nacional e internacional. Na passagem da democracia para a ditadura,
a partir de 1964, essa linha não foi interrompida. As estradas de integração
nacional, que começaram a ser abertas no governo JK, prosseguiram sob o regime
militar. A penetração em áreas pioneiras se intensificou. Os investimentos
públicos e privados se multiplicaram. O resultado é que a Amazônia, em
particular o Pará, que não contava para a balança comercial, passou a pesar.
Foi uma evolução incrível. Os dois principais produtos de exportação do Brasil
saem da Amazônia Legal: a soja de Mato Grosso e o minério de ferro do Pará. Sob
essa perspectiva colonial, o sucesso do modelo só não foi total porque excluiu
a população local dos benefícios.
Procede a avaliação segundo a qual o
Pará foi penalizado com a indiferença do poder central, durante o regime dos
generais, a despeito do estado dispor de duas lideranças – no caso, Jarbas
Passarinho e Alacid Nunes - reveladas pelo golpe de 1ª de abril de 1964, ambas
com inserção em Brasília?
Não há dúvida. O primeiro governador
militar, Jarbas Passarinho, não conseguiu impedir a extinção da Estrada de
Ferro de Bragança, que era uma das suas plataformas. Nem a dominação crescente
da administração federal nos assuntos do Estado, numa usurpação federativa. O
único governador que tentou estabelecer certa autonomia foi Aloysio Chaves
(1975/79). Seu plano de governo previa o avanço do planejamento estadual para
que ele não fosse caudatário do planejamento federal, limitando-se a alocar
verbas em programas e projetos definidos em Brasília. Eu vazei na imprensa esse
plano quando o governador – eleito mas ainda não empossado – estava na
Alemanha. Ele foi convocado a voltar ao Brasil e enquadrado pelo general Geisel.
Ou mudava o seu plano ou não assumiria. Assumiu. Já o rompimento de Alacid
Nunes com o presidente João Figueiredo, o último general no poder, na eleição
de 1982, foi meramente fisiológica. Alacid rompeu o acordo feito com o general
de aceitar que ficasse com Passarinho a decisão sobre o novo candidato do
regime. E apoiou Jader Barbalho, que era oposição, para não permitir a volta do
seu ex-amigo e então maior inimigo.
Sustenta-se em fatos a leitura segundo
a qual teria faltado a Jarbas Passarinho e Alacid Nunes, de tão absorvidos
pelas disputas paroquiais, determinação política capaz de fazê-los carrear para
o Pará benefícios compatíveis com o prestígio de ambos junto ao Palácio do
Planalto, durante a ditadura militar?
Também é verdade. Os dois principais
lideres do movimento militar começaram a se distanciar já na eleição de 1965,
para o governo. A dissensão foi crescendo em função da disputa pelo poder local
entre os grupos que se formaram em torno deles. Era puro fisiologismo. Alacid,
por exemplo, depois de deixar o governo no primeiro mandato foi dirigir o grupo
João Santos no Pará, ao qual tinha concedido benefícios. E depois, integrou o
Conselho de Administração da Vale. Passarinho teve muito mais prestígio
federal, mas seu distanciamento do Pará foi tal que acabou por ficar fora do
alcance das questões locais, o que pesou em suas duas derrotas eleitorais.
O porquê das lideranças que ganharam
expressão com a redemocratização no Pará, como Jader Barbalho e Almir Gabriel,
não conseguiram fazer o estado avançar em termos de conquistas capazes de
efetivamente beneficiar sua população?
As lideranças no Pará não têm realmente
uma visão dinâmica do Estado e do seu contexto. Uma vez no poder, estão atadas
aos compromissos estabelecidos na fase eleitoral. E para se manter precisam
renovar esses compromissos, sem o que não conseguem vencer as dificuldades
resultantes da pobreza, grandeza física, disparidades locais e o peso de grupos
econômicos de fora. Cria-se um ciclo vicioso, no qual se afundam as boas
intenções e mesmo a visão do político antes de conquistar o poder.
O que justifica os índices sociais
pífios legados pelos sucessivos governos do PSDB no período de 12 anos, entre
1995 e 2006?
O PSDB paraense pagou o preço por se
atrelar ao PSDB nacional, que tinha um projeto para a Amazônia: torná-la cada
vez mais uma zona de exportação de produtos primários ou semielaborados. Foi o
PSDB que criou a Lei Kandyr, que isentou esses produtos de exportação da
principal fonte de renda dos Estados, o ICMS. A lei vigorou a partir de 1997,
quando a principal beneficiária foi estatizada, a Companhia Vale do Rio Doce. O
PSDB sabia do mal que isso ia causar ao Pará, mas se calou de forma
oportunista. Achava que seria compensado por Brasília – e não foi. Podia ter
resistido e não resistiu. O “novo Pará” de Almir Gabriel virou retórica de
propaganda.
Como explicar a eleição para um segundo
mandato, como governador, de Simão Jatene, notabilizado como um gestor pouco
afeito às responsabilidades do cargo? A desastrosa administração da
ex-governadora petista Ana Júlia Carepa é capaz de, por si só, justificar a
eleição de Simão Jatene em 2010?
Uma coisa interessante no Pará é a força
da propaganda. Certamente porque a imprensa no Estado é dominada por dois
grupos rapaces, que têm interesses pessoais, comerciais e políticos imensos. É
uma bipolaridade tal como não há em nenhum outro Estado brasileiro. O governo
utiliza esse poder para trabalhar sua imagem e formar opinião a seu favor. É
tão intensa essa propaganda que os próprios governantes passam a acreditar – ou
têm que acreditar – nas suas fantasias. Foi o caso de Ana Júlia Carepa. Ela
acreditou que devia sua eleição a ela própria, não – em maior proporção do que
qualquer petista estava disposto a acreditar – a Jader Barbalho. Quis se livrar
da companhia incômoda. Podia ter feito isso e até seria bom se o conseguisse.
Mas não teve competência para realizar o intento (que o próprio Jader fez em
1983, para se livrar dos alacidistas, sem os quais não teria vencido Oziel
Carneiro, o candidato dos militares). Ela não representava qualquer novidade,
exceto a apregoada pelos seus luas pretas. Se tivesse tido estofo e
consistência, ganharia a eleição. Mas se desgastou tanto que bastou Jader
cruzar os braços para ela ser derrotada. Provavelmente para nunca mais voltar
ao topo da política local.
Qual sua avaliação sobre o cenário que
se desenha para a sucessão estadual deste ano, opondo o governador tucano Simão
Jatene a Helder Barbalho, herdeiro político do pai, o senador e ex-governador
Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará e que vem sendo, nos últimos anos,
o fiel da balança nas eleições estaduais?
O governador Simão Jatene teria muitas
dificuldades para se reeleger, mas seria ainda o franco favorito se ele próprio
não tivesse cometido tantos erros durante a sua atual gestão, que o tornaram
impopular. Erros que resultaram, sobretudo, da sua indecisão. Ele disse tantas
coisas contraditórias, fez e desfez tanto, que criou problemas dentro do seu
próprio partido e gerou um desgaste que talvez não consiga mais desfazer. O
vazio de liderança gestou um serpentário tucano, que pode dar razão ao temor de
que os falsos amigos são piores do que os inimigos.
Até onde o estigma de corrupto que
aderiu a Jader Barbalho pode conspirar contra a candidatura de Helder Barbalho,
pela própria condição deste de herdeiro político do pai? Esse estigma e a
massiva propaganda enganosa veiculada pelo governo serão suficientes para
minimizar a nódoa de gestor indolente que acompanha Simão Jatene desde o seu
primeiro mandato como governador?
Entrevista com meu amigo Roberto Corrêa.
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Roberto Corrêa, segundo o qual a ditadura militar penalizou o Pará. |
“Nesse contexto a Amazônia, e assim o
Pará, deixaria de ser considerada mera fornecedora de produtos extrativos para
assumir o papel de fronteira econômica para reprodução do capital. Essa
política, desprovida de compromisso social, não poderia produzir outra coisa
que não o caos urbano, a pobreza, a miséria e a violência no campo e na cidade;
o cenário mais visível dessa herança maldita patrocinada pelos governos
militares. O Pará, como de resto toda a Região Norte, foi tragado pela obsessão
de um povoamento anárquico e tremendamente prejudicial ao precário equilíbrio
social até então existente.”
Esta é a leitura feita por Roberto
Corrêa sobre as repercussões do golpe militar de 1º de abril de 1964 na
Amazônia e, por extensão, no Pará. Indagado se em matéria de desenvolvimento o
estado avançou ou permaneceu patinando no subdesenvolvimento nos 21 anos do
regime dos generais, ele é incisivo. “Desenvolvimento, não. Crescimento, talvez.
A opção dos governos militares foi o crescimento econômico orientado para o
mercado, para o lucro, para a acumulação, para o enriquecimento de poucos e
miséria de muitos”, sentencia Roberto Corrêa, na entrevista concedida ao Blog do Barata, que segue
abaixo.
Do
ponto de vista sócio-econômico, qual o legado da ditadura militar em termos do
Pará? Em matéria de desenvolvimento, o estado avançou ou permaneceu patinando
no subdesenvolvimento, nos 21 anos do regime dos generais?
Desenvolvimento,
não. Crescimento, talvez. A opção dos governos militares foi o crescimento
econômico orientado para o mercado, para o lucro, para a acumulação, para o
enriquecimento de poucos e miséria de muitos; tudo isso em detrimento da ideia
de desenvolvimento econômico — conceito que, em concordância com as reformas
estruturais propostas por João Goulart e sua equipe de governo, com Celso
Furtado no Ministério do Planejamento, visava o aumento da riqueza em
simultaneidade com inclusão e equidade sociais num Brasil pronto a competir, de
forma autônoma e independente, no mercado mundial. Com o golpe militar de 1964,
um novo arranjo macroinstitucional seria adotado, tendo por suporte uma nova
coalizão de atores formada pelo que veio a ser chamado de “tríplice aliança” —
o entrelaçamento estratégico de interesses do capital nacional, multinacional e
do Estado autoritário. Um novo padrão de crescimento econômico baseado na
industrialização pesada seria, doravante, colocado em prática. Nesse contexto a
Amazônia, e assim o Pará, deixaria de ser considerada mera fornecedora de
produtos extrativos para assumir o papel de fronteira econômica para reprodução
do capital. Essa política, desprovida de compromisso social, não poderia
produzir outra coisa que não o caos urbano, a pobreza, a miséria e a violência
no campo e na cidade; o cenário mais visível dessa herança maldita patrocinada
pelos governos militares. O Pará, como de resto toda a Região Norte, foi
tragado pela obsessão de um povoamento anárquico e tremendamente prejudicial ao
precário equilíbrio social até então existente. Antes da quartelada, a economia
paraense era sustentada por conjunto de atividades como a pesca artesanal, a
bovinocultura extensiva, as lavouras de subsistência, as culturas comerciais, diamantes,
peles e couros silvestres, produtos extrativistas (castanha, borracha, balata,
etc.), além de algumas pequenas indústrias localizadas em Belém e em outros
centros urbanos, como a de fumo, sabão, perfumes, refrigerantes, calçados,
curtição de couro, madeira — eram exemplos dos negócios de pequena escala
característicos da economia regional de então. Uma rede de serviços e de
comércio se desenvolvia em Belém. Bom lembrar que o 1º Plano Quinquenal da
SPVEA destacara a importância de vincular o cooperativismo na Amazônia às
colônias agrícolas existentes, valendo-se das formas autênticas de
solidariedade — fossem essas formais, como a cooperativa, ou espontâneas. Dois
anos após o golpe, esses programas da Spevea seriam desativados, deixando os
cooperados e os pequenos e médios empresários, em sua maioria, abandonados à
própria sorte. A simbologia maior dessa época de autoritarismo político,
econômico e social, foi à desativação da Estrada de Ferro de Bragança, medida
imposta goela abaixo pelo regime militar à ingênua e subserviente elite
paraense, e que teve por consequência imediata destruição da agricultura
familiar da Zona Bragantina,responsável pela dinâmica do comércio de Castanhal,
Belém e de outros centros urbanos localizados no trajeto dessa ferrovia. Em seu
lugar; a pata do boi, com fazendas de engorda financiadas pelos bancos estatais
a juros imoralmente subsidiados, acompanhado da exploração sistêmica da força
de trabalho via o arrocho salarial e fiscal impostos aos trabalhadores rurais e
urbanos pela ditadura militar. Foi nessa época que Belém assistiu a chegada dos
camponeses expulsos de seus lotes agrícolas situados ao longo da estrada de
ferro de Bragança. De um lado, a pata do boi. Do outro, o desemprego, a
desocupação, a miséria, a violência e a prostituição passaram a assombrar Belém
e Castanhal. A partir desse evento, tem inicio a chegada dos “bandeirantes” da
segunda metade do século XX, forasteiros gaseados por incentivos fiscais e
crédito subsidiado, para ocupar com a pata do boi uma boa parte da hinterlândia
paraense, expulsando o índio, o caboclo e o pequeno agricultor de suas terras.
Esse foi, portanto, o modelo de crescimento econômico imposto pela ditadura
militar: concentração da propriedade rural, concentração de renda, com vistas a
viabilizar a distorção proposital do perfil de distribuição de renda com vistas
a criar a demanda artificial por carros, geladeiras e outros produtos da linha
branca produzidos no âmbito da “tríplice aliança”— capital nacional,
multinacional e do Estado autoritário.
Procede
a avaliação segundo a qual o Pará foi penalizado com a indiferença do poder
central, durante o regime dos generais, a despeito do estado dispor de duas
lideranças – no caso, Jarbas Passarinho e Alacid Nunes - reveladas pelo golpe
de 1ª de abril de 1964, ambas com inserção em Brasília?
Sim,
o Pará, comparativamente ao Maranhão e a outros estados, foi barbaramente
penalizado graças às desavenças entre essas duas lideranças golpistas. Prevaleceu
a mediocridade de sempre. Rivalidades do tipo Lemos versus Sodré; Barata versus
Assunção. Esse tipo de rixa moldou as disputas políticas paraenses no pós-1964,
beneficiando o tertius, neste caso,
os grupos que apostavam o retorno à democracia. Importante nesse processo foi o
esforço conjunto da esquerda e do MDB por uma aliança de transição com vistas a
produzir uma maioria no Colégio Eleitoral e, assim, eleger um presidente civil
apoiado pelas forças democráticas, comprometido com a convocação de eleições
diretas para presidente da República, como etapa a ser queimada para alcançar a
convocação de uma Constituinte que pusesse fim aos governos militares. Essa
estratégia política veio a reunir, no início dos anos 1980, Jader Barbalho e
Alacid Nunes contra os candidatos indicados pela ditadura militar: Oziel
Carneiro, para governador, e Jarbas Passarinho, para senador. Com essa aliança
as esquerdas se uniram a duras penas e, em ação conjunta com o MDB contra a
Arena, elegeram, com o apoio do então governador Alacid Nunes, Jáder Barbalho e
Hélio Gueiros, para governador e senador, respectivamente. O instrumento
institucional das esquerdas nessa mobilização veio com a criação da Frente
Democrática de Oposição, liderada por Raimundo Antônio da Costa Jinkings e pelo
poeta Ruy Paranatinga Barata. A FDO, com era então denominada, reuniu todas as
tendências de esquerda: PCB, PT, MR-8, PCdoB, etc.
Sustenta-se
em fatos a leitura segundo a qual teria faltado a Jarbas Passarinho e Alacid
Nunes, de tão absorvidos pelas disputas paroquiais, determinação política capaz
de fazê-los carrear para o Pará benefícios compatíveis com o prestígio de ambos
junto ao Palácio do Planalto, durante a ditadura militar?
Na
verdade, a briga entre os dois obedecia à boutade: farinha pouca meu pirão primeiro! Ou seja, essas lideranças
ditatoriais periféricas brigavam disputando o muito pouco de liberdade
orçamentária que o sistema autoritário centralizado concedia às unidades
federadas, principalmente para os estados da região Norte, máxime para o estado
do Pará. Ou seja, as desavenças Jarbas-Alacid eram decorrentes da pouca
importância que os mesmos tinham perante o centro decisório, o generalato e a
tecnocracia que comandava o centro estratégico dos planos de desenvolvimento regionais
da ditadura. É difícil acreditar que Jarbas Passarinho e Alacid Nunes, mesmo
que superando as divergências, pudessem influenciar o núcleo decisório da
“tríplice aliança”. O Pará, como de resto a região Norte e sua expressão legal,
a região Amazônica, estavam submetidas ás imposições dos estrategistas do
Planalto. Bom lembrar que o fim da Spevea, com a criação da Sudam, Basa e Suframa,
imprimiria um novo tipo de planejamento regional centrado em Brasília e que
teve início com a Operação Amazônia designação muito peculiar aquele momento
histórico em que a geopolítica orientava a inserção do Brasil na nova ordem
planetária, com o Estado criando incentivos e subsídios setoriais e regionais
para favorecer a transferência de capital, criando, na fronteira um novo espaço
para seu desafogo. Qual o papel dessas duas lideranças frente a um Estado
Nacional que se fez mais fortemente presente na consolidação de um modelo
integrador das economias regionais? A resposta é: nada mais do que o pasmo
seguido do balançar de cabeça e do sim,
senhor. Justiça seja feita: Alacid Nunes demonstrou ser mais sensível do
que Jarbas Passarinho às demandas pelo retorno ao Estado democrático de
direito, como, aliás, ficou demonstrada no apoio aberto a candidatura de Jader
Barbalho ao governo do estado do Pará, mesmo sabendo que com isso estava indo
contra a orientação do colegiado ditatorial sediado em Brasília.
O
porquê das lideranças que ganharam expressão com a redemocratização no Pará,
como Jader Barbalho e Almir Gabriel, não conseguiram fazer o estado avançar em
termos de conquistas capazes de efetivamente beneficiar sua população?
Não
me parece coerente aceitar que os governos de Jader Barbalho e Almir Gabriel
não tenham feito algo diferente do que os governos nomeados pela ditadura
militar. Tanto Jader Barbalho como Almir Gabriel avançaram muito no tocante ao
combate as mazelas da miséria, saúde, educação e empregabilidade. Jader fez
muito pelos territórios isolados do sul e sudeste do Pará. Prova disso é o
apoio eleitoral que Jáder desfruta nesses territórios. Os dados do IBGE, IPEA e
outras agências de pesquisas comprovam avanços sociais desses governos
comparativamente ao período ditatorial, principalmente no tocante a mortalidade
infantil, moradia, saúde, educação, distribuição de renda, emprego, etc. Ao
longo dos governos ditatoriais esses indicadores sociais caíram a níveis
assustadores, piores dos indicadores que prevaleciam no período da democracia
de 1945-1964. Nada mais do que reconhecer a emergência em Brasília de um novo
ambiente político marcado pelos rumos e caminhos que nos levariam de volta a
democracia. Bom lembrar que esses dois governos, e mais o de Hélio Gueiros,
eleitos pelo voto direto, responderam com muito esforço às demandas contidas
durante os anos de governos nomeados.
O
que justifica os índices sociais pífios legados pelos sucessivos governos do
PSDB no período de 12 anos, entre 1995 e 2006?
Sempre
faltou aos governos do PSDB um compromisso maior com o social e menos com as
políticas de arrocho fiscal advindas dos acordos com o Fundo Monetário
Internacional. Em Brasília, neoliberais, liderados por FHC, orientavam a
economia na direção de ajustes que tinham por base de sustentação o sacrifício
do social em benefício do privado. Foi nessa época que o sistema de saúde,
educação, prisional, habitacional e de transporte público entraram em descenso.
Os oito anos de governo Lula marcaram a diferença em relação às preferências
tucanas. Em resumo: enquanto os tucanos deslocam o Estado em direção aos do andar
de cima, os petistas o fazem no sentido contrário; em atenção aos mais pobres.
Como
explicar a eleição para um segundo mandato, como governador, de Simão Jatene,
notabilizado como um gestor pouco afeito às responsabilidades do cargo? A
desastrosa administração da ex-governadora petista Ana Júlia Carepa é capaz de,
por si só, justificar a eleição de Simão Jatene em 2010?
O
governo Ana Júlia Carepa teve o mérito de viabilizar um sem número de ações
importantes. Na área da saúde: Programa Saúde da Família, Rios de Saúde,
hospitais regionais, reforma da Santa Casa, etc. Na educação: o Pará sai de 16º
lugar no ranking do Enem, em 2006, para 8º lugar, em 2008; obteve sansão do
Governo Federal para a criação da Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA;
criou a meia passagem intermunicipal para estudantes. Na empregabilidade, o
Projovem Urbano de capacitação profissional; o Projovem Prisional e o Bolsa
Trabalho. Na moradia, ampliou a rede de esgotamento sanitário e outros serviços
de urbanização. Em parceira com o governo federal, viabilizou programa de
construção de 17 mil casas espalhadas em vários municípios. No setor de
transporte e mobilidade urbana, o governo Ana Júlia fez a duplicação da avenida
Perimetral, recuperou e construiu rodovias, pontes e trapiches em vários
municípios, com destaque para o programa Ação Metrópole, no equacionamento do
acesso mais fácil ao centro da cidade. A pergunta, no entanto, demanda uma
criteriosa análise das realizações do governo Ana Júlia comparativamente ao governo
Simão Jatene. Para tanto seria necessário analisar, com profundidade, os dados
e informações dessas duas administrações. Como isso não é possível agora,
respondo, embora que opinativamente, ter sido o governo Ana Júlia mais dedicado
ao social do que o governo Jatene, algo que a história haverá de comprovar. A ocorrência
de Ana Júlia não ter sido reeleita deve-se, em grande parte, a forma como
alguns de seus correligionários se comportaram a quando do exercício de funções
comissionadas. Muitos deles levaram para dentro da administração pública um
tipo de comportamento muito comum às escaramuças sindicais, estudantis e
partidárias: a conhecida fofoca conspiratória das tendências. Em consequência
desse comportamento absurdo, sobressai o desrespeito à meritocracia para
assombrar a todos quanto esperavam do autodenominado governo popular, um novo tipo de relacionamento entre o público e o
privado. Como assessor da Casa Civil, presenciei casos em que o subordinado
conspirava para derrubar o seu chefe, um secretário de Estado. Fui procurado
por funcionários de carreira que se queixavam do tratamento arrogante e
desrespeitoso dispensado por nomeados do nano e do alto clero petista. Esse
tipo de comportamento contribuiu, e muito, para que a nomenclatura, os funcionários
de carreira, legitimados por suas posições no aparato público estatal,
marcassem posição contra a reeleição de Ana Júlia. Bom lembrar que o
funcionário de carreira não captura votos fazendo elogios ao governante, mas,
em compensação, destrói a imagem do governante quando, por legitimidade do
cargo conquistado via concurso público, fala mal de uma administração como,
aliás, foi o caso imerecido de Ana Júlia Carepa. De quem é a culpa por esse
desastre político? Perdoem-me. A resposta menos cruel é a que reconhece serem
os militantes afoitos e despreparados os culpados. Outras questões não menos
importantes concorreram para a derrota de Ana Júlia, entre as quais a falta de
uma imagem que impusesse a governadora no cimo da hierarquia decisória, evitando,
com isso, problemas maiores com os partidos da base aliada, sobretudo nas
eleições municipais de 2008 e na liberação das emendas de interesse dos
deputados. Nas eleições municipais de 2008, em alguns municípios importantes, a
incoerência do PT em lançar candidato a prefeito, acabou viabilizando, via
divisão de votos, a eleição de candidatos do PSDB e de outros partidos não
integrantes da base aliada. A resposta a essa insensatez viria forte em 2010.
Qual
sua avaliação sobre o cenário que se desenha para a sucessão estadual deste
ano, opondo o governador tucano Simão Jatene a Helder Barbalho, herdeiro
político do pai, o senador e ex-governador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB
no Pará e que vem sendo, nos últimos anos, o fiel da balança nas eleições
estaduais?
O
cenário político das eleições que se aproximam não tem roteiro definido até
mesmo porque não temos ainda todos os elementos necessários para avaliar os
desdobramentos da cena de partida que aos poucos está sendo anunciada. Quantos
cavalos entrarão nas porfias nacional e estadual? Ou seja, a configuração
dessas disputas ainda são rodeadas de muita especulação e pouca consistência. O
centro estratégico continuará sendo a corrida dos cavalos que buscam o prêmio
“Brasília”, onde o cavalo de Aécio Neves aparece com maior substância muscular
do que o de Eduardo Campos. Dilma Rousseff, por enquanto, montada em cavalo
puro sangue estatal, domina essa cena e, certamente, buscará compensar as
ameaças do divisionismo nordestino privilegiando alianças com o PMDB noutros
espaços geográficos e, neste caso, o Pará é o melhor exemplo. Jatene e o PSDB
no Pará vivem as agruras da escassez de recursos públicos decorrente das
políticas de renúncia fiscal do governo federal, com sérios danos às
transferências do Fundo de Participação dos Estados e Municípios. Na disputa
pelo governo do estado do Pará, o PMDB, com Helder Barbalho, promete em aliança
com o PT marchar em direção oposta às vertentes tradicionais, impondo a
revolução política geracional semelhante a que aconteceu há 32 anos, quando a
maioria dos estados elegeu governadores jovens, aposentando de vez a geração
dos 40 anos anteriores. Jader Barbalho é um exemplo daquela época. Embora muito
cedo para qualquer cálculo probabilístico, tudo leva a crer que a eleição, na
dependência de um terceiro e quarto candidato, marchará para um segundo turno
com Simão Jatene e Helder Barbalho disputando voto a voto, região por região,
município por município. Como sempre, vale a pena repetir a máxima stalinista:
um banquinho só fica em pé se contar três pernas. No caso do banquinho de
Helder, já são visíveis duas pernas: PT e PMDB. A terceira virá com o voto útil
de muitos partidos situado fora da influência tucana e que gravitam em torno do
PMDB e do PT. No caso de Jatene, por enquanto, contamos malmente com uma perna,
a do PSDB, muito pouco consistente, sobretudo no que diz respeito a moral da
tropa. A candidatura de Duciomar Costa, por enquanto, é mera especulação. Há
reações extremadas a essa candidatura no jardim secreto petebista.
Até
onde o estigma de corrupto que aderiu a Jader Barbalho pode conspirar contra a
candidatura de Helder Barbalho, pela própria condição deste de herdeiro
político do pai? Esse estigma e a massiva propaganda enganosa veiculada pelo
governo serão suficientes para minimizar a nódoa de gestor indolente que
acompanha Simão Jatene desde o seu primeiro mandato como governador?
Se
este suposto estigma vier a ser usado na campanha, o efeito poderá vir a ser
contrário às intenções de seus autores. Caso isso venha a acontecer, os tucanos
poderão sofrer muito com o escarafunchar de velhas e novas historietas não
muito benéficas para quem busca a reeleição. É provável que nos acertos de
bastidores essas questões sejam evitadas pelos marqueteiros, até mesmo porque
vem crescendo no eleitorado a repulsa às campanhas eleitorais pautadas em
escândalos e no baixo nível. O eleitor médio quer saber o que cada um dos
candidatos pensa fazer pelo bem do Pará e do seu povo. As enquetes comprovam
essa postura do cidadão eleitor.
A
resistência de setores do partido, diante da coligação com o PMDB, permite
entrever o risco de Helder Barbalho ser cristianizado por parcela dos petistas,
a exemplo do que ocorreu em 2002, quando a deputada Elcione Barbalho teve sua
candidatura ao Senado boicotada por segmentos do PT?
Não acredito que uma aliança aprovada por mais de 70% dos delegados na recente convenção petista não venha a ter resultados práticos, até mesmo porque posturas desse tipo acarretariam sérios prejuízos à chapa ao Senado, com a qual o PT pretende eleger Paulo Rocha e, até mesmo, a reeleição de Dilma Rousseff. Em relação ao absurdo da estratégia petista em 2002, quando a fração sindical petista optou por Duciomar Costa para o Senado, antevendo, com isso, ser ele o adversário preferencial do PT nas eleições municipais de 2004. A resposta viria em duas etapas. A primeira, em 2004, nas eleições a prefeitura de Belém, com Ana Júlia sendo derrotada,em pleito de segundo turno, por Duciomar Costa. Óbvio que a força maior de reação ao nome de Ana Júlia veio do PMDB que havia conquistado 10% dos votos no primeiro turno com a candidatura Hélio Gueiros. Esses votos foram a contragosto para Duciomar, como forma de punir a irresponsabilidade petista de 2002 em prejudicar Elcione Barbalho. A segunda etapa dessa lição de política viria com a altivez de Jáder Barbalho ao indicar ao presidente Lula o nome de Ana Júlia Carepa para ser a candidata ao governo do estado do Pará nas eleições de 2006, mesmo que a contragosto de grande parte das lideranças peemedebistas. O PMDB nessa eleição marcou diferença ao contribuir para a vitória da candidata petista no 2º turno. Espero, sinceramente, que tenham aprendido.
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